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Esse blog tem como foco a partilha de experiências. Acredito que poderemos democratizar saberes e ampliar nossos conhecimentos a partir da postagem de vivências realizadas na área educacional. Aqui você encontra dinâmicas, cine fórum, atividades... Olhe sempre os arquivos!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

DINÂMICA: COLCHA DE RETALHOS



Objetivos: Possibilitar aos participantes a vivência de uma atividade significativa, estimulando a vontade de conhecer e registrar a vida, em suas diferentes formas e momentos.




Desenvolvimento


1) Contar a história: A Colcha de Retalhos ( Nye Ribeiro)
O texto “A colcha de retalhos” narra a história da avó que fez uma colcha para o neto e cada retalho tinha a sua história. Na lembrança do menino um retalho em especial faz com que entenda o que é saudade, pois se lembra das férias que passou com a avó.
2) Confecção da colcha de retalhos (individual e coletiva)
3) Discussão
4) Reflexão


Confecção da Colcha de retalhos
1) Solicitar aos participantes que relembrem um pouco da sua história profissional. Lembrar de momentos marcantes, positivos e/ou negativos.
2) Entregar uma folha de papel com 4 quadros para que escrevam ou desenhem em cada parte, algo marcante em sua vida.
3) Pedir que coloram os quadros com giz de cera de acordo com a sentimento que tiveram diante de cada situação descrita.
4) Pedir aos participantes que colem a sua colcha no painel formando uma grande colcha do grupo.



Discussão


1) Que sentimentos a atividade lhe proporcionou? Por quê?
2)  Como podemos valorizar as diferenças individuais através desta atividade?
3) Há uma parte da história que gostariam de comentar?

Ex: “A gente só entende bem das coisas que já experimentou”. (A importância de o aluno vivenciar as atividades para que haja compreensão)









Reflexão
A história de uma pessoa é como uma colcha de retalhos: ela é formada dos acontecimentos, dos momentos de alegria e de tristeza, dos sonhos...da vida de cada um.
A importância da relação afetiva entre as pessoas da mesma família, da escola, pois é assim que a criança aprende a amar e ser amada.
É importante refletir sobre o ser humano como um ser de projeto que se estrutura, social e psiquicamente, também nas relações de trabalho. Entender que o homem não anda sozinho, que há caminhos que se completam.
Ninguém é igual ao outro. Nada de repetição, de monotonia. Um completa o outro. Um apóia o outro formando a humanidade. Eu sou um pedacinho no grande conjunto. Importante é querer ser costurado aos outros retalhos e não ficar isolado. Todos unidos na procura da união e da fraternidade, cada um do seu modo, formam a grande colcha da unidade da pluriformidade.
Todos pensam diferentes, sentem diferentes, agem diferentes. Aí está a riqueza da diversidade, das identidades, dos valores. Todos podem ser diferentes e construir algo com o mesmo objetivo. Desse modo, poderão se sentir parte da grande teia da vida
Nós somos aquilo que vivemos. Somos um pouquinho da vida de nossos pais e avós, das pessoas que estão à nossa volta.
A cultura, o modo de ser das pessoas influenciam o nosso modo de ser e de ver as coisas.
Buscar a nossa própria história nos proporciona o auto-conhecimento e o conhecimento de todos e tudo que nos rodeia.
“entender para respeitar” nossos sentimentos e os daqueles com quem compartilhamos a vida.
Registro emotivo e estimulante.
Colcha de retalhos da Geografia: a escola, o bairro, a cidade, o estado, o Brasil, o mundo.
Colcha de retalhos da História: a história de vida de cada um, linha de tempo


TEXTO: A COLCHA DE RETALHOS - Nye Ribeiro Silva

Nos finais de semana Felipe vai para a casa da vovó. É uma delícia!
Vovó sabe fazer bolo de chocolate, brigadeiro, bala de coco, pão de queijo... enfim, sabe fazer tudo que Felipe gosta. E lá não tem esse negócio de “hora de comer isso, hora de comer aquilo...hora de brincar, hora de dormir...”
Vovó sabe contar histórias como ninguém.
- Conta mais uma, vovó. Só mais uma!
Vovó coloca os óculos bem na ponta do nariz, faz uma cara engraçada e fala bem fininho e fraquinho, imitando a voz da Chapeuzinho Vermelho, e bem grosso e forte, imitando a voz do lobo mau. Ah! Quem é que não gosta de uma vovozinha assim?
Um dia, quando Felipe chegou à casa da vovó, encontrou uma porção de pedaços de tecidos espalhados pelo chão, perto da máquina de costura onde ela estava trabalhando.
- O que é isso, vovó?
- São retalhos, Felipe. Fui juntando os pedaços de pano que sobravam das minhas costuras e, agora, já dá para fazer uma colcha de retalhos. Vou começar a emendá-los hoje mesmo.
- Posso ajudar, vovó?
- Está bem. Então vá separando os retalhos para mim. Primeiro só os de bolinha, depois os de listrinhas...
Felipe esparramou tudo pelo chão e foi separando-os um a um. Tinha pano de florzinha, de lua e estrela, de bolinha grande e bolinha pequena, listrado, xadrez...
- Olha esse pano listrado, é daquele pijama que você fez para mim quando a gente passou aqueles dias no sítio, lembra?
- É mesmo Felipe, estou me lembrando. Que férias gostosas! Andamos a cavalo, chupamos jabuticaba... As jabuticabeiras estavam carregadinhas!
- E olhe esse pano xadrez, que bonito vovó!
- É daquela camisa que eu fiz para você dar ao seu pai, no dia do aniversário dele. Sua mãe fez um jantar gostoso e convidou todo mundo.
- Ah! Eu me lembro! Veio o tio Paulo, o tio João, a tia Josefina, veio a Cecília e até o Rex, para brincar com o meu cachorro, Apolo. Parece que um deles fez xixi na cozinha e o outro fez cocô no quintal, né?
- Seu pai ficou tão bonito! E assoprou as velinhas, todo vaidoso, de camisa nova.
- É mesmo! Mas ficou bravo com os cachorros.
- Olha, Felipe esse retalho aqui. Não é daquele vestido que eu fiz para a sua mãe ir a uma festa  de casamento? Sabe, quando a sua mãe era pequena eu fazia uma porção de vestidos para ela. E gostava também de bordá-los. Uma vez fiz um vestido cor-de-rosa, inteirinho bordado com a branca de neve e os sete anões. Quando o vestido ficou pronto, ela falou assim:
- Ué, mamãe, está faltando a bruxa!
- Vovó, esse pano azul-marinho está com a cara da Vó Maria.
- Era dela mesmo!
- Vovó Maria mora lá no céu, né? Junto com o vovô Luiz e o meu cachorrinho Apolo... Ué, vovó, você está chorando? O que aconteceu?
- Não, - disse a vovó fungando e limpando o nariz com o lenço – não estou chorando, não.
- Ah! Vovó! Vice não disse que nós somos amigos? Então, me conta o que está acontecendo. Você está triste?
- É saudade, Felipe! É a saudade...
- Saudade dói, vovó?
- às vezes dói. Quando a saudade é de alguém que já foi embora para nunca mais voltar...
- Ah!
- Mas existem outras saudades: de um passeio gostoso, de uma viagem, de uma festa, de um amigo, de uma amiga, de um parente que mora longe...
-Vovó, acho que eu ainda não entendo nada de saudade.
- Eu sei. A gente só entende bem das coisas que já experimentou. Talvez ainda seja muito cedo para você entender dessas coisas...Felipe, me ajuda aqui. Vamos ver como é que está ficando a nossa colcha de retalhos!
- Que bonita, vovó! Um dia você faz uma para mim também?
Depois de algum tempo, Felipe nem se lembrava mais da colcha de retalhos. Um dia, ao voltar da escola...
- Felipe! A vovó mandou uma surpresa para você!
- Uma surpresa para mim? Onde?
- Está lá em cima da sua cama.
Felipe entrou no quarto correndo. A colcha estava sobre a sua cama. Que linda! Mas não era uma colcha como essas que se vende, nas lojas. Cada retalhinho tinha uma história.
Ali, deitado sobre a colcha, Felipe passou algum tempo lembrando-se de uma porção de histórias. Observou um retalho de brim azul...
- Foi quando o papai e a mamãe viajaram de férias e eu fiquei lá na casa da vovó. Um dia, fui subir na jabuticabeira e levei o maior tombo. Ralei o joelho, fiquei com o bumbum dolorido e o short rasgado... que vergonha! Vovó veio correndo lá de dentro. Me pegou no colo com carinho e, depois, nesse mesmo dia, resolveu fazer um short novo para mim. E fez um short deste pano aqui, de brim azul.
De repente, Felipe começou a sentir uma coisa estranha dentro do peito. E aquilo foi aumentando, aumentando... Felipe foi atrás de sua mãe :
- Me leva na casa da vovó?
Não demorou nada e os dois estavam chegando lá na casa da vovó. Tocaram a campainha e ela veio lá de dentro.
- Parece que eu estava adivinhando que você vinha. Fiz um bolo de chocolate, do jeito que você gosta!
- Vovó, vem aqui pertinho. Agora me dá um abraço bem gostoso!
- Aconteceu alguma coisa, Felipe?
- Sabe, vovó... – cochichou Felipe, bem baixinho, no seu ouvido – preciso te contar um segredo: eu acho que já entendi... agora já sei o que é saudade!

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